Foto: Felipe Neitzke Portal A Hora
Passados 12 meses do acidente que deixou sete estudantes da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) mortos na cidade de Imigrante, o Diário retornou, através de imagens e vídeos com a colaboração do Grupo A Hora, de Lajeado, ao ponto exato onde o ônibus saiu da pista, entre os municípios de Imigrante e Westfália, para verificar se houve melhorias na sinalização ou intervenções capazes de aumentar a segurança na rodovia de acesso a RSC-453.
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A constatação é direta: não há mudanças estruturais visíveis. O cenário permanece semelhante ao registrado em abril de 2025, e a principal medida anunciada pelo governo estadual após o acidente, a construção de uma área de escape, ainda não foi executada. As únicas mudanças no local são a instalação de uma placa com os dizeres “Por um trânsito mais seguro. Já perdemos sete vidas neste trecho. Não seja a próxima”, fazendo referência ao acidente. Houve também a também a instalação de alguns containers de uma empresa privada.
O trecho, localizado no quilômetro 3,8 da rodovia, é considerado crítico por ter uma descida acentuada e curvas que exigem atenção redobrada dos motoristas. Após o acidente, o ponto passou a ser tratado como prioridade dentro de um pacote de obras anunciado pelo governo do Estado, que previa investimentos de aproximadamente R$14 milhões na recuperação do local, conhecido como Estrada da Berlim.
Cenário atual
Apesar do planejamento e das promessas, o que se observa pelas imagens é a ausência de intervenções concretas na ribanceira, de cerca de 30 metros, onde o ônibus saiu da pista. Não há, até o momento, dispositivos adicionais de contenção, alterações significativas na sinalização ou estruturas que indiquem mudanças imediatas nas condições de segurança.

Relembre o acidente
O caso ocorreu em abril de 2025 e mobilizou equipes de resgate de toda a região do Vale do Taquari. O ônibus transportava 33 pessoas entre alunos e professores do curso técnico de Paisagismo da UFSM, que seguiam para uma visita técnica ao Cactário Horst. A menos de 1 quilômetro de distância do destino final, o motorista perdeu o controle da direção e o veículo saiu da pista, despencando em uma ribanceira.
Sete pessoas morreram no local ou em decorrência dos ferimentos, e outras 26 ficaram feridas.
Obras anunciadas e andamento
Diante da repercussão do caso, o governo do Estado anunciou ainda em 2025 um conjunto de intervenções na rodovia. O contrato para execução das obras foi formalizado oito meses após o acidente, com prazo estimado de conclusão para dezembro de 2026.
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O projeto prevê uma série de obras ao longo da estrada, incluindo recuperação do pavimento, estabilização de encostas e implantação de dispositivos de segurança viária. Uma das medidas anunciadas é a a construção da área de escape justamente no ponto onde ocorreu o acidente.

Os trabalhos começaram em fevereiro e, até o momento, concentram-se em serviços iniciais, como limpeza da via, roçada e preparação do terreno, executados pela empresa Plano Norte Engenharia, de Carlos Barbosa.
Como será a área de escape
As obras previstas estão sob responsabilidade da empresa STE Serviços Técnicos de Engenharia, de Canoas. A estrutura deve ter cerca de 100 metros de extensão e 10 metros de largura.
O espaço será preenchido com uma camada de areia de aproximadamente 50 centímetros de espessura, capaz de aumentar o atrito e reduzir a velocidade de veículos em situações de emergência, especialmente em casos de falha no sistema de freios. Este tipo de sistema é muito utilizado em rodovias de São Paulo.

A previsão do Departamento Autônomo de Estradas de Rodagem (Daer) é de que a área de escape esteja concluída até dezembro de 2026, dentro do cronograma geral da obra. Até lá, o trecho segue operando nas mesmas condições que antecederam o acidente.
Investigação e responsabilização
As investigações conduzidas pela Polícia Civil avançaram nos meses seguintes e resultaram no indiciamento do motorista, o responsável pelo núcleo de transporte da Universidade e a representante da empresa que contratou o motorista, por homicídio culposo e lesões corporais culposas.
Rodolfo Bopp, motorista do ônibus, foi indiciado por não adotar técnicas de condução consideradas seguras para aquele tipo de trajeto; o responsável pelo setor de transportes da universidade, por falhas relacionadas à manutenção do veículo; e uma representante da empresa contratada, por descumprimento de exigências legais. Os últimos dois não tiveram seus nomes divulgados.
UFSM se manifesta
No sábado (4) a Universidade Federal de Santa Maria emitiu nota após um ano do acidente. Confira abaixo.
Há um ano, a comunidade da UFSM foi atravessada por uma dor que permanece.Hoje é um dia de lembrar, de respeitar o luto e de reconhecer que nenhuma ação reparará plenamente as perdas e os impactos. É um momento de acolher os diferentes sentimentos que ainda persistem.
Ao longo deste ano, a UFSM buscou estar presente e atender as demandas dos envolvidos diretamente dentro das possibilidades institucionais.
A UFSM se recolhe em memória.